
"Tecnologia afetará bancos como afetou gravadoras", diz especialista.
O pesquisador da Universidade Federal de
Pernambuco, Silvio Meira, defendeu, em palestra na noite de ontem, que o
setor financeiro pode ser tão impactado em suas receitas no futuro como
foram as gravadoras no final dos anos 90.
De acordo com o acadêmico, muitas pesquisas indicam
que o fácil acesso à música digital foi o elemento mais determinante
para a queda nas vendas de CDs em todo o mundo. Em sua visão, a
disseminação de ferramentas de pagamentos eletrônicos que não cobram
taxas de clientes e lojistas poderá excluir os bancos de boa parte das
transações feitas pelos consumidores.
Um dos produtos apresentado por Meira é o Simple,
sistema eletrônico criado para micropagamentos que não cobra taxas nas
operações, ao contrário do que ocorre com sistemas oferecidos por bancos
e operadoras de cartão de crédito. O Simple, diz Meira, tende a ser
mais sedutor para o usuário pois, além de mais econômico, oferece
características como controle de gastos e emite avisos quando o usuário
extrapola suas metas individuais de economia.
Outro exemplo citado por Meira é o software Klarna,
sistem que gera boletos digitais para pagamentos. O Klarna já tem 4 mil
clientes e dispensa inteiramente bancos e cartões de débito ou crédito,
além de não cobrar tarifa nas transações. Outro app citado por Meira foi
o serviço Dwolla, que permite transações de até US$10 via Facebook,
Twitter ou e-mail sem nenhuma cobrança adicional. Este serviço conta com
100 mil clientes.
Dados apresentados por Meira indicam que poucas
economias já utilizam substancialmente estes tipos de serviço, mas na
avaliação do especialista este cenário deve mudar nos próximos anos.
Na opinião de Meira, um dos principais entraves para a adoção em massa destes serviços, é o temor de um roubo de identidade.
“É preciso que exista confiança nestes sistemas. Vale
lembrar que, com todos estes produtos, o simples furto de um celular
poderia caracterizar a perda momentânea da própria identidade”,
analisa. O pesquisador afirma, no entanto, que é questão de tempo para
que estes produtos fiquem mais robustos e ganhem a confiança dos
consumidores.
Era da programabilidade - O
especialista defendeu, ainda, a humanidade deverá viver nos próximos
anos o que chamou de “era da programabilidade”. Segundo Meira, este será
o momento em que todo cidadão fará softwares e eles substituirão quase
inteiramente toda atividade humana padronizada – restando apenas a
atividade intelectual criativa. Meira citou o ifttt.com como exemplo de
site que já permite a criação de softwares básicos por leigos.
A palestra de Meira foi realizada por iniciativa da
Serasa Experian, que aproveitou o evento para fazer demonstração de seu
certificado digital. Igor Ramos Rocha, presidente da unidade de
negócios de identidade digital da Serasa Experian, classificou o evento
como a “primeira incursão significativa da empresa” para demonstrar seu
alinhamento com inovações tecnológicas que protejam a identidade de seus
clientes. Sistemas de reconhecimento de íris e voz estão entre as
novidades que estão sendo estudadas pela Serasa Experian.
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